História do Museu

A história do Museu de Anatomia Humana ( MAH ) confunde-se e integra-se à história do Departamento de Anatomia e da própria Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Em abril deste ano completou 91 anos de existência. Seu acervo foi sendo gradativamente formado a partir das atividades docentes do Prof. Alfonso Bovero, que tiveram início em 1914 quando foi contratado para reger a cadeira de Anatomia e Histologia da antiga Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Sua aula inaugural foi ministrada no dia 24 de abril daquele ano, no antigo Solar do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, na Rua Brigadeiro Tobias, local que abrigou cátedras e laboratórios.

Com um pequeno acervo iniciado apenas por metade de um esqueleto desarticulado e um exemplar do Tratado de Anatomia de Testut, acrescido de uma pequena coleção de peças humanas para demonstração, o então Instituto de Anatomia transfere-se para o Instituto Médico Legal (atual Instituto Oscar Freire) em 1924, onde permaneceu até 1931. Neste mesmo ano, muda-se novamente. Agora para o prédio da atual Faculdade de Medicina na Av. Dr. Arnaldo, 455, onde permaneceu até 1996.

Durante todo o período em que trabalhou junto ao Departamento de Anatomia (1914 à 1937), o Prof. Alfonso Bovero preocupou-se em criar um acervo de peças anatômicas: encéfalos, órgãos viscerais, línguas e laringes (mais de 800) todas protocoladas, de tal forma a possibilitar qualquer pesquisa sistemática.

Além disso, com a ajuda de muitos de seus discípulos como Renato Locchi, Odorico Machado de Sousa e outros, acrescentou à coleção, diversos preparados anatômicos, utilizando-se de técnicas especializadas como a diafanização e outras denominadas de: Spalteholz, Schultze, Lundwall, Giacomini, Gray, Semper, Frederic-Hochstetter, Kopsch, Schlesinger; método espanhol de conservação (Bassas); peças de corrosão; moldes de parafina; modelagens em massa; etc.

Juntou a esta coleção inicial, peças com vasos do sistema linfático injetados segundo o método de Rouviére e, formando o setor de osteologia do Museu, acrescentou ainda ao acervo uma coleção de aproximadamente 500 crânios humanos de diferentes grupos étnicos (fetos e adultos) e mais 65 esqueletos (05 desarticulados). Destes esqueletos, alguns são do Homem de Sambaqui ( representantes de tribos selvagens que habitaram o litoral brasileiro em época pré-histórica ).

Em 1996, com um acervo que alcançou 1.800 unidades expostas e uma biblioteca com aproximadamente 2.000 volumes, incluindo originais de obras raras como os livros

  • "De Humani Corporis Fabrica" de Amdreas Vesalius (1543)
  • "Opera Omnia" Regnier de Graaf (1678)
  • "Anatomia do Corpo Humano" de Bernardo Santucci (1739)
  • "Compendium Anatomicum" de Laurentii Heisteri (1742)

e outros.

O Museu mais uma vez é transferido. Primeiro para o Bloco III, depois, em 1999, vai para o Edifício Biomédicas III do Instituto de Ciências Biomédicas, na Cidade Universitária, onde se encontra até os dias de hoje.

Neste último local, é aberto novamente à visitação pública. No mesmo ano, em homenagem a seu fundador, passa a ser denominado Museu de Anatomia Humana Professor Alfonso Bovero - MAH.