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Seu guia interativo de Histologia

Versão 2.0

Módulo 4 - tecido conjuntivo

 

matriz extracelular fibrilar

A matriz extracelular fibrilar predomina em volume sobre a matriz fundamental na maioria dos tipos de tecido conjuntivo. Esta matriz é composta de três tipos de fibras: colágenas, elásticas e reticulares.

A classificação das fibras da matriz fibrilar se originou quando estas fibras foram descritas pela microscopia de luz. Alguns tipos de fibras somente são visíveis após colorações especiais ou tratamentos especiais dos cortes. Os novos conceitos introduzidos pela microscopia eletrônica e pela imunohistoquímica e pelo conhecimento da composição química das diferentes fibras acrescentaram muita informação sobre a matriz fibrilar, porém, para efeitos práticos a antiga classificação e nomenclatura é muito útil e ainda é utilizada largamente.

As fibras colágenas são constituídas pela proteína colágeno, denominação que na verdade se refere a uma família de pelo menos 20 moléculas que têm várias características em comum. Colágeno é sintetizado e secretado por células do tecido conjuntivo, principalmente pelos fibroblastos, células do tecido ósseo e do tecido cartilaginoso, assim como por células de outros tecidos. A proteína mais comum desta família é o colágeno tipo I. As fibras colágenas são formadas por colágeno tipo I associado a quantidades menores de moléculas de colágenos de outros tipos moleculares.

As moléculas de colágeno tipo I associadas a moléculas de outros tipos formam fibrilas visíveis ao microscópio eletrônico. As fibrilas se reúnem em fibras de calibres bastante diversos, visíveis ao microscópio de luz. As fibras, por sua vez, podem se reunir em feixes. As fibras colágenas têm diâmetro bastante variável e aparecem bem coradas por corantes ácidos como é o caso da eosina e da técnica do picro-Sirius (são portanto acidófilas).

As fibras colágenas existentes nos diversos locais do organismo têm provavelmente composição química ligeiramente diferente entre si devido à presença dos vários outros tipos de moléculas de colágeno que se associam ao colágeno tipo I e por outras glicoproteínas, glicosaminoglicanas e proteoglicanas. Esta composição molecular diferenciada resulta nas características próprias de espessura e organização das fibras nestes diferentes locais do organismo.

As fibras elásticas são constituídas por um outro grupo de proteínas que se reunem em fibras de diferentes tipos e que em conjunto constituem o que se chama de sistema elástico. As fibras elásticas são os elementos mais complexos deste sistema por serem construídas de várias proteínas do sistema elástico. As outras fibras do sistema elástico são denominadas fibras elaunínicas e fibras oxitalânicas. As fibras do sistema elástico costumam ser evidenciadas ao microscópio de luz por meio de técnicas especiais de coloração e eventualmente as fibras elásticas podem também ser observadas em cortes corados por hematoxilina e eosina. São dotadas de elasticidade e, da mesma forma como molas, voltam ao tamanho e forma originais após sofrerem pressão ou distensão.

As fibras reticulares são muito delgadas e têm este nome por que quase sempre se organizam em redes tridimensionais encontradas em vários órgãos. Os espaços das malhas destas redes são ocupados por células que se apoiam nas fibras. As fibras são compostas principalmente de colágeno tipo III associado a outros tipos de colágeno e a moléculas não-colagênicas. Provavelmente devido a sua composição química, não são coradas por hematoxilina e eosina, mas podem ser visibilizadas por técnicas de impregnação de prata, técnicas em que prata metálica é precipitada sobre as fibras. Por esta razão, estas fibras são também chamadas de argirófilas. As fibras reticulares podem também ser evidenciadas pela técnica do PAS, provavelmente devido à sua riqueza em carboidratos - rever a técnica de PAS.