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Proteus
Mitologia, microbiologia e mutação.
Mariana Rocha B. da Fonseca

O mundo invisível das bactérias nos surpreende até hoje. Imagine em 1885 a surpresa que o microbiologista alemão Gustav Hauser teve ao observar um microrganismo que apresentava duas formas, variando naturalmente entre um bacilo curto e um bacilo longo multiflagelado. Hauser resolveu nomear o novo grupo de bactérias com o nome de um personagem mitológico do livro ‘Odisséia’ de Homero, Proteus, que tinha a habilidade de mudar de forma para fugir de seus perseguidores, que queriam usufruir de outra habilidade do personagem, que era a de prever o futuro de quem o capturasse.
 
A variação de forma tem como consequência a variação de motilidade da bactéria, que quando cultivada em meio sólido cresce em ondas. Esse tipo de motilidade é denominado de swarming. O swarming é tão característico do gênero Proteus que facilita bastante a classificação das bactérias do gênero.
 
 
Cultura de Proteus em placa, mostrando a motilidade em swarming. Fonte CDC/PHIL#1046

Atualmente todos leem notícias sobre bactérias multirresistentes que sofrem mutações relacionadas ao mau uso de antibióticos, mas poucas pessoas sabem como as mutações acontecem. Primeiramente, temos que ter em mente que uma mutação pode acontecer naturalmente na célula, e caso aquela mutação não atrapalhe o crescimento do organismo, ela pode ser passada para as gerações futuras. Mas nem toda mutação é boa para a célula, e organismos que se encontram em ambientes estáveis encontram, geralmente, desvantagens com o surgimento de mutações. Mas esse não é o caso de uma bactéria que está sofrendo o ataque de antibióticos, então alguns sistemas celulares podem ser ativados visando mutações que ocasionalmente levam à sobrevivência da bactéria sob estresse.
Além do surgimento de mutações nas situações descritas, alguns organismos foram estudados e grupos chamados de mutadores. Essas bactérias, em geral, apresentam falhas em sistemas que corrigem erros no DNA, ou seja, os mutadores sofreram mutações que atrapalham a correção de erros da célula, fazendo com que outras mutações surjam com mais frequência para aquele grupo. Para organismos com essa característica, é indicado que o tratamento de infecções seja feito com mais de um antibiótico ao mesmo tempo.
Mas onde o Proteus entra nessa história? Alguns estudos mostraram que o gênero Proteus também apresenta indivíduos com características de mutadores, mas algumas evidências nos despertaram a curiosidade de descobrir se as falhas nos sistemas de correção, que acontecem em outros grupos, seja o mesmo evento que viabiliza mutações surgirem com mais frequência em Proteus. É isso que pretendemos descrever com nossa pesquisa, esperamos nos surpreender mais uma vez com o mundo microscópico das bactérias!

Referências:
Costa, S. O. P.; Newton, S. M. C. 1994. High frenquency of auxotrophy in clinical isolates of Proteus mirabilis harboring an R plamid. Rev. Brasil. Genet. 17(4):359-364.
Friedberg, E. C.; Walker, G. C.; Siede, W. DNA Repair and Mutagenesis. Washington: ASM Press, 1995. 698p.
Hauser, G. 1885. Über Fäulnissbacterien und deren Beziehungen zur Septicämie; ein Beitrag zur Morphologie der Spaltpilze. Vogel.

 
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